Apenas Iulia


Estava deitada, me preparando pra dormir, assistindo O Lado Bom da Vida, e comecei a pensar sobre mim mesma. E percebi que nunca escrevi um texto unica e exclusivamente sobre mim.
Comecei pensar em fazer talvez uma auto análise ou coisa do tipo, mas não sei se daria certo, então apenas escreverei o que vier a mente, sem nenhum tipo de filtro.
Primeiramente vamos a grande questão da minha vida: eu sou bipolar (por isso comecei a pensar vendo o filme, e daí o nome do blog). O descobri a cerca de 3 anos, depois de começar a fazer terapia. É engraçado como algumas pessoas entendem completamente errado o que é ser bipolar, o que é conviver com isso. Pra muitos, é apenas estar bem agora, e daqui a 10 minutos estar mal.
Mas bom, não é bem assim. Existem duas palavrinhas na vida de um bipolar: mania e depressão, que são as crises que um bipolar tem. Mania é o estado de felicidade esplendorosa, e depressão, bom, o oposto. Não irei mais adiante com esses termos pra não transformar isso aqui num texto chato e monótono.
É engraçado conviver com isso, não ter uma estabilidade emocional pode ser realmente complicado. Você simplesmente entra numa crise de depressão num piscar de olhos e quando você percebe, já está na completa merda, da desgraça total, como se fosse a pior pessoa do mundo. Mas na verdade esse é o sentimento: ser a pior pessoa do mundo, não valer nada, não ter significado.
Bom, nunca me deparei no outro estágio, então não sei bem o que dizer sobre isso. Mas pelo que li, já me senti algumas vezes no topo do mundo e tal, mas nada que eu olhasse e dissesse: Estou com crise de mania.
Uma coisa que eu nunca admiti é que eu tenho muito medo disso tudo machucar as pessoas que amo. Eu sei que eu sou um perigo iminente a mim mesma e não a quem me cerca, mas sei que o que faço comigo afeta sim essas pessoas.
Já tentei fazer coisas idiotas nessa vida, e sei que deixei marcas em algumas pessoas por isso. Sei que o que fiz não faz de mim uma pessoa pior ou melhor, mas hoje, eu não faria novamente, mesmo não me arrependendo.
Ás vezes eu gostaria de saber como é estar no outro lado de tudo, pra tentar me fazer enxergar algo que me fizesse melhorar, algo que me estabilizasse por um tempo. 
Talvez seja por carregar esse fardo que eu viva tão intensamente do jeito que vivo. Algumas pessoas me disseram que isso é maravilhoso, que eu realmente sinto tudo o que eu vivo, que eu passo por tudo de verdade. Bom, talvez a melhor opção seja pensar da mesma forma, pois terei que conviver com isso pro resto da minha vida.